Sérgio Lopes - TENTE LEMBRAR |
CRISTÃO-EVANGÉLICO
“UM PARAIBANO NA MARINHA DO BRASIL”
Para quem não entende a diferença entre, Paraíba e paraibano. O Paraíba é um termo
pejorativo e pode ser qualquer um! Paraibano é quem nasce no Estado da Paraíba.
O Estado da Paraíba na época da colonização era habitado por índios Potiguares e índios tabajaras, em especial os Potiguares. Os Potiguares eram, digo são, porque ainda existem remanescentes na região litorânea da Paraíba, povos guerreiros. Conta a historia que resistiram por muitos anos à colonização portuguesa, e só foram vencidos porque os tabajaras se uniram aos Portugueses.
Desta terras descendem os ilustres: Augusto dos anjos, grande poeta; Assis Chateaubriand, um mecenas; Pedro Américo, grande pintor, José Américo,escritor; Epitácio Pessoa, presidente do BRASIL! João pessoa, assassinado em 1930 em Recife; era candidato a vice-presidente, na chapa de Getúlio Vargas, o assassinato trouxe grande comoção popular sendo praticamente o estopim da Revolução de 1930. A capital da Paraíba tem o seu nome, e é conhecida como "a cidade onde o sol nasce primeiro", devido ao fato de no município estar localizada a Ponta do Seixas, que é o ponto mais oriental das Américas. Na ECO92, conferência das Nações Unidas, sobre o meio ambiente, a Cidade de João Pessoa recebeu o título de segunda cidade mais verde do mundo; perdendo apenas para Paris.
A palavra “NEGO” consta na bandeira da Paraíba para registrar o fato acima exposto, que aconteceu na década de 20/30. Em 1929, começou um processo de eleição, a chamada aliança café-com-leite, pela qual São Paulo e Minas se revezavam no exercício da Presidência da República. Esse acordo era apoiado por Epitácio Pessoa. Washington Luiz rompeu o acordo e indicou como seu candidato à Presidência outro paulista, de nome Júlio Prestes, João Pessoa inconformada com tal atitude, NEGOU o apoio da Paraíba a candidatura de Prestes, apoiando a candidatura de Getúlio Vargas que era Gaucho. João Pessoa teve coragem cívica de passar um telegrama ao Governo Federal negando qualquer tipo de apoio, daí o famoso NEGO, inserido na bandeira da Paraíba, num vermelho de sangue e preto de luto. É também lugar de Zé da Luz, grande artista popular, escreveu muitas literaturas de cordel; As literaturas de Cordel são pequenos livros em que os artistas populares penduram em cordas nas feiras livre. As flô de Puxinanã é um exemplo de literatura de cordel feita por Zé da Luz, veja: “Três muié ou três irmã, três cachôrra da mulesta, eu vi num dia de festa, no lugar Puxinanã. A mais véia, a mais ribusta era mermo uma tentação! mimosa flô do sertão que o povo chamava Ogusta. A segunda, a Guléimina, tinha uns ói qui ô! mardição! Matava quarqué critão os oiá déssa minina. Os ói dela paricia duas istrêla tremendo, se apagando e se acendendo em noite de ventania. A tercêra, era Maroca. Cum um cóipo muito má feito. Mas porém, tinha nos peito dois cuscús de mandioca. Dois cuscús, qui, prú capricho, quando ela passou pru eu, minhas venta se acendeu cum o chêro vindo dos bicho. Eu inté, me atrapaiava, sem sabê das três irmã qui ei vi im Puxinanã, qual era a qui mi agradava. Inscuiendo a minha cruz prá sair desse imbaraço, desejei, morrê nos braços, da dona dos dois cuscús!” . Temos ainda vivos grandes Paraibanos como: Ariano Suassuna, grande dramaturgo autor de “O auto da compadecida”; Chico césar, cantor e compositor, chega a ser um paraibano do tipo moderno! Não podemos esquecer também de Elba Ramalho, aquela que foi levada para cidade de Campina Grande ainda criança. Era o sonho de todo paraibano daquela época, morar
Creio que em meados de 1978, ano em que o Presidente Ernesto Geisel assina um documento que revogava o Ato Institucional nº 5. O AI-5, lançado em 1969, que foi o instrumento mais severo durante a ditadura militar; crianças paraibanas, sentadas a balaustrada da Rua Sólon de Lucena, em Esperança-PB. Cansadas de brincar, pois se brincava de tudo naquela cidadezinha. Como: bola de gude; dinheiro de notas de cigarros; carros de latas de leite ninho; barra-bandeira; pique-pega; bolas de meia; revolve de caneta bic; baladeiras, contar carros que passasse na rua, que era coisa rara; saber que animais as nuvens formavam no Céu; fazer barquinhos e jogar nos esgotos das ruas. Só não tínhamos a tal da pipa! No esconde-esconde, éramos os melhores, foi lá que acharam uma caveira todo mumificada com um grande colar no pescoço escrito: campeão paraibano de esconde-esconde! O circo da cidadezinha tinha dois animais: um porco e um vira-lata que dava pra ver os ossos; o palhaço carequinha até que era engraçado. Pense numa cidadezinha pacata, de dia faltava água e de noite luz, sete horas era como meia noite, não se via mais ninguém nas ruas, mesmo assim, as fofoqueiras de plantão sabiam de tudo; creio que devido ao silencio do lugar, ouvia-se tudo que falasse! Televisão não existia, rádio só alguns, pensava-se como cabiam tantas pessoas dentro de uma caixinha daquela, os colchões eram de capim seco, na primeira mijada, os colchões não prestavam para mais nada, mesmo assim continuavam dormindo neles. Óleo de cozinha se vendia numa conchinha, e se fritava tudo naquele óleo, as carnes tinham sabor de ovo, sabor de peixe, sabor de frango. Pensavam-se que os frangos fossem apenas pernas , pois só se comiam isso; geladeiras, poucos tinham, escolas eram sinônimos de macarrão com sardinha, salsicha não tinha na época. Eram tão matutas as crianças daquele lugar que se achassem uma lâmpada mágica, fariam três pedidos: um kichute, um rádio de pilha da marca telefunkem e uma bicicleta caloi. Pra se ter uma idéia da gravidade da inocência, as crianças só abriam os olhos depois de oito dias de nascidas! Além das dificuldades da cidadezinha, tinha-se medo de tudo e em especial do papa-figo, figura folclórica em que um homem se alimenta dos fígados das crianças. Na verdade a vida em esperança só é ruim quando não chove no chão, mas se chover dá de tudo, fartura tem de montão, tomara que chova logo, tomara meu Deus tomara, só deixo o meu cariri, no último pau-de-arara, cantou Luiz Gonzaga, rei do baião, este era Pernambucano, semelhante ao paraibano, diferente do Cearense. O Cearense é muito engraçado e tem a cabeça grande e chata, o paraibano nem tanto, pode ser até grande, mais não é chata. É tão grave a situação das cabeças chatas daquela região, que algumas mulheres de militares quando estão emprenhadas, não querem ter seus filhos no nordeste, vão ao Rio de Janeiro para que seus filhos nasçam com a cabeça afilada como cabeça de fósforo, é claro que isso é uma questão de genética e não geográfica. Neste contexto histórico e geográfico, uma daquelas crianças paraibanas sentadas à balaustrada disse ter um sonho de servir a MARINHA DO BRASIL; o pai, queria que o filho fosse das agulhas Negras.
A criança cresceu e foi morar em Campina Grande, na casa do tio, lá consegui concluir os estudos com muito esforço e junto com outros amigos se escreveram nos concursos de Aprendiz de Marinheiro e um tal de FUZILEIRO NAVAL, a verdade é que ninguém sabia que bicho era esse. Sabiam que não era fácil concluir o curso. De posse das inscrições, ficaram cheios de orgulho, reuniram-se e foram a um forró de pé de serra na cidade de Puxinanã. Forro de pé de serra, só tem três tocadores: um zabumba (bombo), um no triângulo e um na sanfona. A cidade de Puxinanã é vizinha de Campina Grande, foram de Rural, melhor carro da época. A onda do momento era dar “CARTEIRADA” se passando por autoridade; como estava com as duas inscrições no bolso, pegou a de Aprendiz e deu a tal carteirada. Pra que ele fez isso? Quem estava a portaria do forró de pé de serra, era o delegado da cidade, (um soldado PM com a barriga pelas bocas e com os cadaços dos boot todos desamarrados) pense num cabra macho, cabra é um homem rude daquela região. O PM tomou a inscrição da sua mão e mandou outros PM revista-lo, e disse para o mesmo pegar sua inscrição na delegacia! A inscrição está lá até hoje! Gloria a Deus! Ele tem seus planos nas vidas das pessoas, pode lê isto na Bíblia. O coitado do Paraibano, agora sim Paraíba, ficou só com a inscrição de FUZILEIRO NAVAL. Mas a vida tem lá suas historias. Diante do ocorrido ficou apenas com a inscrição de FUZILEIRO NAVAL, vindo a passar nas provas e se tornar UM PARAIBANO NA MARINHA DO BRASIL.

